Microbioma Vaginal: O que é, funções, equilíbrio e exames

Microbioma Vaginal: O que é, funções, equilíbrio e exames

Publicado por SYNLAB em 17 de março de 2026
Autor do texto: Carla Peluso, PhD
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O microbioma vaginal é um tema de crescente interesse na medicina e na pesquisa científica devido à sua importância para a saúde feminina. Compreender como a comunidade microbiana da vagina influencia a imunidade, a nutrição e o bem-estar geral é crucial para médicos e especialistas.

 

Este artigo explora a composição, as funções e a relevância do microbioma vaginal, destacando suas implicações na saúde reprodutiva e na prevenção de doenças.

 

O organismo humano abriga uma rica diversidade de microrganismos, formando um sistema dinâmico, funcional e auxiliar que se desenvolve em harmonia com o progresso fisiológico de seu hospedeiro.

 

Desta forma, a microbiota desempenha um papel fundamental nos mecanismos fisiológicos humanos, tais como desenvolvimento da imunidade e da nutrição, estabelecendo uma relação mutuamente benéfica com o hospedeiro, no qual este fornece abrigo e nutrição.

O que é Microbioma Vaginal?

O microbioma vaginal é o conjunto de microrganismos, principalmente bactérias, que habitam naturalmente a vagina. Esses microrganismos formam uma comunidade viva, a flora vaginal, que atua em equilíbrio com o organismo feminino.

 

Diferente da ideia antiga de que bactérias são sempre prejudiciais, grande parte delas é benéfica e essencial para a manutenção da saúde íntima.

 

Microbiota x microbioma: qual a diferença?

O termo microbiota refere-se à complexa comunidade de microrganismos que habita um local específico do corpo como o trato gastrointestinal, a pele, a boca, a vagina, entre outros.

 

A microbiota inclui todas as bactérias, vírus, fungos e outros microrganismos que coexistem nesse ambiente, além de exercerem papéis importantes na saúde e no funcionamento do organismo hospedeiro.

 

Já o termo microbioma refere-se ao genoma coletivo de um consórcio ou comunidade microbiana, ou seja, é o conjunto completo de genes dos microrganismos que formam a microbiota (inclui o material genético de todas as bactérias, vírus, fungos e demais microrganismos).

 

Além disso, o termo refere-se ainda sobre as atividades e capacidades metabólicas dos microrganismos presentes (1).

 

Importância do microbioma humano

Nos estágios iniciais da vida, o desenvolvimento do microbioma influencia a função imunológica. Microrganismos adquiridos verticalmente, horizontalmente e graças ao ambiente, bem como seus produtos metabólicos, têm o potencial de moldar os cursos de desenvolvimento que impactam a saúde ao longo da vida (2).

 

Assim, o microbioma desempenha um papel crucial no desenvolvimento de funções metabólicas, imunológicas e nutricionais, tornando necessário um cuidado atento.

 

Desta forma, compreender como comunidades microbianas complexas podem afetar a patogênese de diversas doenças tem implicações significativas para prevenção, diagnóstico e tratamento das mesmas (3).

 

Nas últimas décadas, a pesquisa do microbioma humano evoluiu além da simples categorização da diversidade de microrganismos, para a forma como esses microrganismos constituem um sistema funcional auxiliar e dinâmico, que se desenvolve de maneira sinérgica, em paralelo com o processo de desenvolvimento e declínio fisiológico (4-6).

 

O que está cada vez mais evidente é que uma ampla gama de condições, que incluem doenças inflamatórias crônicas (7), doenças metabólicas (8), distúrbios neurológicos e câncer (9, 10), agora está sendo relacionado a alterações funcionais no microbioma.

 

Essas alterações podem ocorrer tanto isoladamente no local de manifestação da doença quanto em áreas de mucosas ou sistemas de órgãos distantes, o que desencadeia mudanças metabólicas e imunológicas no hospedeiro (1).

 

Diversos fatores, como a dieta, agentes antimicrobianos e imunidade, influenciam os microbiomas humanos, especialmente o microbioma intestinal, que abriga a maior quantidade e variedade de microrganismos.

 

Em resposta, os produtos bioativos proveniente do microbioma moldam a função das células humanas (11, 12).

 

Para entender melhor a influência do microbioma intestinal na saúde, a SYNLAB oferece o exame MyBiome, um teste diagnóstico que realiza a leitura completa do genoma do microbiano intestinal por meio de sequenciamento massivo (shotgun metagenomics).

 

Leia mais sobre o microbioma intestinal e descubra como o MyBiome permite realizar um estudo aprofundado, objetivo e acionável de todos os microrganismos que compõem o ecossistema intestinal.

 

Microbioma vaginal e a sua importância

 

Microbiota e microbioma vaginal

A microbiota vaginal constitui cerca de 9% da microbiota humana total (13) e é considerada um microambiente dinâmico onde o estado gestacional, o uso de contraceptivos, o ciclo menstrual e a atividade sexual contribuem para a variação nas comunidades bacterianas (14, 15).

 

Acredita-se que a flora vaginal normal seja dominada por lactobacilos. As espécies L. iners, L. crispatus, L. gasseri e L. jensenii, demonstraram predominar a microbiota vaginal de mulheres saudáveis em idade reprodutiva em proporções variadas (16-18).

 

Cerca de 120 espécies de Lactobacillus foram documentadas e 20 são conhecidas por habitar a vagina.

 

No entanto, uma microbiota vaginal alterada com baixa abundância de lactobacilos, especialmente durante a gravidez, pode resultar em indução de inflamação excessiva e risco de gerar parto prematuro (19, 20).

 

Ademais, uma vez que o microbioma vaginal desempenha um papel importante na implantação do embrião, não é surpreendente que a vaginose bacteriana seja mais comum em mulheres inférteis e esteja associada a taxas reduzidas de concepção (13).

 

Esses microrganismos vivem em uma relação mutualística com a vagina, protegendo-a de microrganismos potencialmente patogênicos, como aqueles que causam vaginose bacteriana, infecções do trato urinário, infecções por Candida e infecções sexualmente transmissíveis (ISTs) (21).

 

Essa contribuição parece ser indispensável para o sucesso reprodutivo. A microbiota atua como um defensor da linha de frente contra microrganismos invasores por um fenômeno denominado “resistência à colonização”, ou seja, impede que organismos estranhos colonizem locais do corpo humano, causando infecções (22).

 

A concepção de um padrão global de normalidade em contraste com a disbiose do microbioma vaginal é alvo de debate, uma vez que mulheres de diferentes etnias apresentam microbiotas vaginais distintas com variações regionais (23).

 

No entanto, apesar da grande variabilidade entre mulheres, atualmente é aceito que o “estado saudável do microbioma vaginal” em mulheres em idade reprodutiva é caracterizado pela presença dominante de uma ou, no máximo, duas espécies de Lactobacillus, sendo L. crispatus, L. iners, L. gasseri e L. jensenii as mais comuns.

 

Através da produção de ácido láctico, os lactobacilos conseguem manter um ambiente ácido na vagina que, juntamente com a produção de outros compostos antimicrobianos, ajudam a inibir ou controlar o crescimento de microrganismos oportunistas e patogênicos.

 

Microbiota Vaginal Normal

A microbiota vaginal normal é caracterizada pelo predomínio de bactérias protetoras, principalmente do gênero Lactobacillus. Essas bactérias desempenham papel central na defesa contra microrganismos patogênicos.

 

Características da microbiota vaginal normal:

  • Predomínio de Lactobacillus (adere ao epitélio vaginal inibindo a aderência de microrganismo patogênicos);
  • Produção de ácido lático (pela fermentação de glicogênio);
  • Produção de peróxido de hidrogênio (e outros compostos antimicrobianos, como as bacteriocinas);
  • Ambiente com pH ácido (≤ 4,5);
  • Baixa diversidade bacteriana (diferentemente do intestino).

Esse ambiente ácido dificulta a proliferação de bactérias oportunistas que estão associadas a infecções, como ocorre na vaginose bacteriana.

 

Qual é o pH vaginal normal?

O pH vaginal indica o nível de acidez do ambiente vaginal e está diretamente relacionada à manutenção do equilíbrio do microbioma vaginal e à proteção contra infecções. Ele funciona como um “marcador de saúde” do ambiente íntimo feminino.

 

O pH vaginal varia conforme a fase da vida e o ciclo hormonal:

  • Mulheres em idade reprodutiva: 3,8 a 4,5;
  • Durante o período menstrual: pode aumentar temporariamente;
  • Pós-menopausa: tende a ficar acima de 4,5 devido à queda de estrogênio;
  • Pré-puberdade: pH mais elevado (ambiente menos ácido).

O estrogênio estimula a produção de glicogênio nas células vaginais, que serve de substrato para os Lactobacillus produzirem ácido lático, mantendo o ambiente ácido e protetor.

 

O ambiente ácido dificulta a proliferação de microrganismos potencialmente patogênicos, como:

  • Bactérias associadas à vaginose bacteriana;
  • Fungos do gênero Candida;
  • Algumas bactérias relacionadas a infecções sexualmente transmissíveis.

Quando o pH se eleva (fica menos ácido), a proteção natural diminui, favorecendo o crescimento desses microrganismos.

 

Disbiose vaginal

O que é disbiose?

Os principais constituintes do microbioma, as bactérias, precisam manter uma simbiose constante, que é o equilíbrio entre as bactérias comensais (benéficas) e as patogênicas (nocivas).

 

O contrário disso, conhecido como disbiose, ocorre quando há um desequilíbrio nessa relação, desencadeando um padrão de microbiota pró-inflamatória (3). A disbiose prejudica o estado de saúde ao aumentar a suscetibilidade do hospedeiro a um espectro de distúrbios inflamatórios e metabólicos (24).

 

Cerca de 20-30% das mulheres em idade reprodutiva apresentam microbioma alterado. A disbiose na microbiota vaginal pode ser fisiológica ou patológica, dependendo da interação de fatores metabólicos e fatores microbianos.

 

A microbiota vaginal evolui com a idade, com microrganismos anaeróbios sendo dominantes na idade pré-puberal para a vagina rica em Lactobacillus em idade reprodutiva (25).

 

Os desequilíbrios no microbioma vaginal são causados principalmente pela depleção de Lactobacillus spp. Estudos associam esta diminuição com um aumento do risco de infecção sexualmente transmissível (IST), além de complicações na gestação (aborto e parto prematuro) e resultados menos favoráveis de fertilização in vitro (menor taxa de implantação e maior número de abortos tardios) (26, 27).

 

A influência hormonal também é um fator importante que determina as diferentes fases do ciclo reprodutivo das mulheres. Dentre os hormônios, os estrógenos são conhecidos por induzirem modificações específicas na microbiota vaginal (28).

 

Alterações tanto fisiológicas (gravidez e ciclo menstrual) quanto patológicas (vaginose bacteriana, infecções do trato urinário e doenças sexualmente transmissíveis) estão associadas a alterações significativas na microbiota vaginal (29).

 

Desta forma, nos últimos anos, tem sido reconhecido que a comunidade microbiana do trato genital inferior desempenha um papel fundamental na manutenção da saúde sexual e reprodutiva da mulher.

 

Diferença entre disbiose e candidíase

A disbiose refere-se ao desequilíbrio da microbiota vaginal, enquanto a candidíase é uma infecção causada pelo crescimento excessivo de fungos do gênero Candida.

 

Em outras palavras, a disbiose é uma alteração do ecossistema vaginal, enquanto a candidíase é uma consequência possível desse desequilíbrio.

 

Nem toda disbiose resulta em candidíase, e nem toda candidíase ocorre exclusivamente por disbiose, já que fatores hormonais, imunológicos e metabólicos também influenciam o desenvolvimento da infecção.

 

Outro ponto relevante é o pH vaginal: na vaginose bacteriana, que é um tipo de disbiose, o pH geralmente se encontra elevado. Já na candidíase, o pH frequentemente permanece dentro da faixa normal, o que auxilia na diferenciação clínica.

 

Relação entre fungos vaginais e desequilíbrio da flora

Fungos como Candida podem fazer parte do microbioma vaginal sem causar sintomas. O problema surge quando ocorre desequilíbrio da flora vaginal, com redução das bactérias protetoras e alteração do ambiente imunológico local.

 

Esse cenário permite a proliferação exagerada do fungo, levando ao aparecimento de sintomas característicos. Portanto, manter o equilíbrio do microbioma vaginal é um dos principais mecanismos naturais de controle dos fungos vaginais e de prevenção da candidíase recorrente.

 

Sinais e sintomas da disbiose vaginal

Quando ocorre um desequilíbrio do microbioma vaginal, o organismo pode manifestar diferentes sinais de alerta. A alteração da microbiota vaginal pode provocar sensação de desconforto íntimo, maior sensibilidade local, inflamação, corrimento persistente ou infecções recorrentes.

 

Além disso, o desequilíbrio pode aumentar a suscetibilidade a infecções sexualmente transmissíveis e a outras complicações ginecológicas.

 

Os sintomas da disbiose vaginal variam conforme o tipo de alteração presente e a intensidade do desequilíbrio. Em alguns casos, especialmente nas fases iniciais, a mulher pode não apresentar sintomas evidentes.

 

Quando sintomática, a disbiose pode causar:

  • Corrimento vaginal com alteração de cor;
  • Alteração na consistência;
  • Odor íntimo mais intenso ou desagradável;
  • Ardor ou sensação de queimação;
  • Coceira;
  • Irritação vulvar;
  • Desconforto durante a relação sexual.

Na vaginose bacteriana, por exemplo, o corrimento pode se tornar mais fluido, acinzentado e com odor característico. Já em alterações associadas a fungos, pode haver prurido mais intenso e corrimento espesso.

 

Esses sintomas indicam que a microbiota vaginal pode estar desequilibrada e que o ambiente íntimo perdeu parte de sua proteção natural.

 

No entanto, é importante lembrar que nem toda alteração do microbioma vaginal provoca sintomas imediatos. Algumas mulheres apresentam disbiose subclínica, o que reforça a importância de procurar avaliação médica diante de desconfortos persistentes ou recorrência de infecções.

 

Microbioma vaginal e infertilidade

Acredita-se que o microbioma vaginal associado à vaginose bacteriana seja um fator contribuinte para a infertilidade em mulheres em idade reprodutiva (30). Mulheres com infertilidade idiopática demonstram uma maior incidência de microbiota vaginal anormal (31).

 

Estudo de revisão sistemática com meta-análise sobre a associação de vaginose bacteriana e infertilidade revelou que 19% das mulheres inférteis têm vaginose bacteriana, enquanto 39% tinham flora vaginal intermediária.

 

Adicionalmente, observou-se uma prevalência maior de vaginose bacteriana em mulheres inférteis em comparação com mulheres férteis na mesma faixa etária, e essa condição esteve relacionada a taxas reduzidas de concepção.

 

Esses resultados reforçam a importância da presença abundante de espécies de Lactobacillus como característica de uma flora vaginal saudável e normal (32).  Portanto, uma compreensão mais abrangente dos elementos funcionais, para além da composição do microbioma vaginal pode contribuir para o aprimoramento das estratégias de diagnóstico e tratamentos.

 

Exames ginecológicos relacionados

A avaliação da saúde íntima feminina pode envolver diferentes exames ginecológicos, cada um com finalidades específicas. Enquanto alguns têm foco na prevenção do câncer do colo do útero, outros auxiliam na identificação de infecções e alterações da microbiota vaginal.

 

Os principais exames relacionados ao equilíbrio do microbioma vaginal incluem:

  • Exame clínico ginecológico: Avaliação física realizada para observar sinais de inflamação, corrimento, odor ou alterações anatômicas;
  • Exame preventivo (citologia oncótica): Analisa células do colo do útero e pode indicar alterações celulares e presença de microrganismos;
  • Exames microbiológicos convencionais: Cultura para bactérias ou fungos, utilizados quando há suspeita de infecção específica;
  • Exame de microbioma vaginal por métodos moleculares: Avaliação mais detalhada da composição da microbiota vaginal, permitindo identificar padrões de equilíbrio ou disbiose.

 

Tratamento e cuidados

O tratamento da disbiose vaginal depende da causa do desequilíbrio e dos sintomas apresentados.

 

Como a disbiose não é uma doença isolada, mas uma alteração do microbioma vaginal, o objetivo principal é restaurar o equilíbrio da microbiota vaginal e recuperar o ambiente protetor natural da vagina.

 

A conduta pode incluir medicamentos antifúngicos, antibióticos específicos (quando há vaginose bacteriana), ajuste de fatores hormonais, além de mudanças no estilo de vida que favoreçam a estabilidade do microbioma vaginal.

 

Para restaurar o equilíbrio da microbiota vaginal, é fundamental identificar a causa do desequilíbrio. Entre as estratégias mais utilizadas estão:

  • Tratamento direcionado para infecções bacterianas ou fúngicas;
  • Uso orientado de probióticos;
  • Redução de fatores irritativos (duchas vaginais, sabonetes íntimos agressivos);
  • Controle de condições como diabetes;
  • Ajustes hormonais quando indicados.

É importante também restaurar o microbioma vaginal, favorecendo o crescimento de bactérias protetoras como os Lactobacillus. Em casos recorrentes, pode ser necessária uma abordagem mais ampla, incluindo investigação metabólica, hormonal e imunológica.

 

Como os probióticos ajudam o microbioma vaginal?

Os probióticos podem contribuir para o equilíbrio da microbiota vaginal ao repor bactérias benéficas, especialmente espécies de Lactobacillus.

 

Esses microrganismos auxiliam na:

  • Produção de ácido lático;
  • Manutenção do pH vaginal ácido;
  • Inibição do crescimento de bactérias e fungos patogênicos;
  • Estímulo da resposta imunológica local.

Probióticos podem ser administrados por via oral ou vaginal, dependendo da indicação. No entanto, sua escolha deve ser individualizada, já que diferentes cepas têm funções específicas.

 

Qual exame a SYNLAB oferece para investigação do microbioma vaginal?

A SYNLAB oferece o estudo metagenômico do microbioma vaginal, o qual permite analisar a abundância relativa das espécies bacterianas que compõem a comunidade microbiana vaginal mediante sequenciamento metagenômico shotgun (sequenciamento completo do genoma bacteriano).

 

Desta forma, o viés de amplificação inerente aos estudos convencionais baseados na análise de 16S rRNA é evitado e fornece informações mais precisas à nível da espécie.

 

Adicionalmente, o teste incluí a análise (RT-PCR) de infeção por Chlamydia trachomatis, Neisseria gonorrhoeae, Trichomonas vaginalis, Micoplasma genitalium/hominis, Ureaplasma urealyticum/parvum e as sete seguintes espécies de Candida: C. albicans, C. glabrata, C. parapsilosis, C. krusei, C. dubliniensis C. tropicalis e C. lusitaniae.

 

Quais as vantagens do estudo metagenômico do microbioma vaginal?

O exame de microbioma vaginal oferece uma visão completa do microbioma vaginal, permitindo:

  • Caracterizar o estado comunitário (CST) da paciente;
  • Estabelecer de forma objetiva diferentes estados de disbiose mediante uso de pontos de corte validados em estudos;
  • Caracterização precisa dos agentes causais de infecção, contribuindo com a otimização da abordagem terapêutica de infecções frequentes do trato vaginal;
  • Relatório de resultados desenhado especificamente para garantir rápida e fácil interpretação.

 

Quais as indicações do estudo metagenômico do microbioma vaginal?

Está especialmente indicado para mulheres que:

  • Apresentem problemas de infertilidade (falha de implantação recorrente, abortos de repetição);
  • Pacientes que sofrem de infecções vaginais recorrentes (vaginose bacteriana, Candida spp, entre outras);
  • Pacientes com dor pélvica crônica;
  • Pacientes que estão considerando a maternidade e/ou desejam avaliar proativamente sua saúde vaginal.

 

Qual a metodologia do estudo metagenômico do microbioma vaginal?

O estudo metagenômico do microbioma vaginal é realizado mediante sequenciamento shotgun, que consiste na fragmentação aleatória de pequenos fragmentos de DNA e, em seguida, esses fragmentos são sequenciados individualmente.

 

O sequenciamento shotgun é uma abordagem eficaz para sequenciar genomas inteiros, especialmente de organismos cujo genoma é grande demais para ser sequenciado de maneira tradicional.

 

Desta forma, o sequenciamento shotgun permite o estudo completo do genoma de todas as bactérias e microrganismos que compõem o ecossistema vaginal.

 

Isso evita o viés de amplificação inerente a estudos convencionais do gene ribossômico 16S, que muitas vezes se concentram apenas em uma pequena porção (menos de 20%) do gene 16S rRNA (33).

 

O sequenciamento shotgun permite a obtenção de informações abrangentes sobre o genoma de um organismo, permitindo a análise de genes, vias metabólicas, elementos regulatórios, uma vez que o genoma todo é sequenciado, o que inclui milhões a bilhões de pares de bases.

 

Por outro lado, o sequenciamento do gene 16S é empregado apenas para identificar e classificar bactérias presentes em uma amostra, já que apenas uma região específica do gene 16S rRNA, que é relativamente curta (cerca de 1.500 bases), é sequenciada (33).

 

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Perguntas Frequentes (FAQ)

Qual a diferença entre microbiota e microbioma?

Microbiota é o conjunto de microrganismos que vivem em determinado local do corpo, como a vagina. Enquanto microbioma refere-se ao conjunto desses microrganismos, mais seus genes, juntamente com as interações que exercem no ambiente.

 

De forma simples: microbiota são os microrganismos; microbioma é o ecossistema completo.

 

Qual é o conceito de microbioma?

O microbioma é o conjunto de microrganismos que habitam o corpo humano, juntamente com seu material genético e suas funções biológicas. No caso do microbioma vaginal, ele representa o ecossistema responsável por manter o equilíbrio, proteger contra infecções e regular o pH vaginal.

 

O que é exame de microbioma?

O exame de microbioma vaginal é um teste laboratorial que analisa a composição das bactérias presentes na vagina, geralmente por métodos moleculares. Ele permite identificar desequilíbrios da microbiota vaginal e investigar casos de disbiose ou infecções recorrentes.

 

Quais são os sintomas da disbiose?

Os sintomas da disbiose vaginal podem incluir: corrimento alterado, odor vaginal forte, ardor ou queimação, coceira, irritação íntima, infecções recorrentes. Em alguns casos, a disbiose pode ser assintomática.

 

O que é bom para curar disbiose?

O tratamento depende da causa. Pode envolver antifúngicos, antibióticos específicos, probióticos e mudanças de hábitos. O objetivo é restaurar o equilíbrio do microbioma vaginal e recuperar o pH ácido protetor.

 

Qual tipo de exame detecta a disbiose?

A disbiose pode ser sugerida por avaliação clínica, medição do pH vaginal e exame preventivo. No entanto, o exame de microbioma vaginal por métodos moleculares é o mais preciso para avaliar a composição da microbiota vaginal.

 

O que não pode comer quem tem disbiose?

Não há proibição absoluta, mas recomenda-se reduzir: açúcar refinado, doces em excesso, alimentos ultraprocessados, carboidratos muito refinados. Esses alimentos podem favorecer o crescimento fúngico em casos de disbiose.

 

Como recuperar o pH da parte íntima?

Para recuperar o pH vaginal é necessário restaurar o equilíbrio da microbiota vaginal. Evitar duchas internas, usar produtos suaves, tratar infecções adequadamente e, quando indicado, utilizar probióticos pode ajudar na normalização do ambiente vaginal.

 

Qual a relação entre nutrição e disbiose vaginal?

A alimentação influencia o sistema imunológico e pode impactar indiretamente o microbioma vaginal. Dietas ricas em açúcar e ultraprocessados podem favorecer desequilíbrios, enquanto uma alimentação equilibrada contribui para a estabilidade da microbiota.

 

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