Tudo que você precisa saber sobre os riscos de Câncer de Próstata e sua avaliação não invasiva.

O câncer de próstata é o segundo tipo de câncer mais frequente entre os homens. No entanto, apesar de ser um tipo frequente é também o mais difícil de ser abordado, muitas vezes limitando o diagnóstico precoce e seus cuidados. 

Mas antes, o  que é a próstata?

A próstata é uma glândula exócrina presente apenas em homens e está localizada abaixo da bexiga, com a uretra passando por ela e na frente do reto. É circundada por uma cápsula fibromuscular e contém tecido glandular e conjuntivo.

As glândulas da próstata produzem fluido que faz parte do sêmen, a substância que é liberada durante a ejaculação como parte da resposta sexual masculina.

Durante o envelhecimento do homem, a próstata está sujeita a duas condições

  1. ao aumento benigno (HPB – hiperplasia prostática benigna);
  2. o câncer de próstata, justificando a maior prevalência do câncer de próstata em idosos

Neste contexto, é inquestionável que a constante vigilância na saúde masculina desempenha um papel fundamental na expectativa de vida dos homens.

 

O que é o Câncer de Próstata?      

O câncer de próstata é um tumor maligno que afeta a próstata.     

Destaca-se como o segundo tipo de câncer mais frequente entre os homens, representando um verdadeiro problema de saúde mundial. 

     Segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS), no ano de 2020 foram registrados 1.414.25 novos casos da doença, alcançando cerca de 3,8% (375.304) dos casos de mortalidade entre os cânceres masculinos. 

No Brasil, segundo  o Instituto Nacional do Câncer (INCA) o número de óbitos registrados em 2018 foi de 15.576, enquanto que em 2020 foram registrados 65.840 novos casos da doença.

 

Quais são os tipos de câncer de Próstata?      

Os cânceres de próstata, em sua maioria, são do tipo adenocarcinomas (câncer que se origina nos tecidos glandulares, formados por células com capacidades de secretar substâncias para o organismo) sendo desenvolvidos a partir das células da glândula (células que produzem o fluido da próstata que é adicionado ao sêmen). 

Outros tipos de câncer podem iniciar na próstata, mas são raros, como por exemplo:

  • Carcinomas de células pequenas
  • Tumores neuroendócrinos 
  • Carcinomas de células transicionais
  • Sarcomas

Alguns cânceres de próstata apresentam um crescimento acelerado, mas a maioria apresenta um crescimento lento. 

Estudos de necropsia revelaram que muitos homens mais velhos (e até alguns homens mais jovens) que faleceram em decorrência de outras enfermidades também apresentavam câncer de próstata não diagnosticado. 

Alguns estudos sugerem que o câncer de próstata pode iniciar com uma condição pré-cancerosa, no entanto, ainda não existem explicações claras sobre isto. Essas condições são encontradas, em alguns casos, quando o paciente é submetido a uma biópsia prostática.  

  •      Neoplasia intraepitelial prostática: 

Pode ser encontrado em alguns homens por volta dos 20 anos.
Nesta condição, apresenta alterações das células da próstata quando vistas ao microscópio, mas as células anormais não parecem estar crescendo em outras partes da próstata (como as células cancerígenas fariam).      

 

Com base na aparência anormal dos padrões das células, podem ser classificados como:

  • Neoplasia intraepitelial prostática de baixo grau: os padrões das células da próstata parecem quase normais. Não se acredita que esta condição esteja associada ao câncer de próstata.
  • Neoplasia intraepitelial prostática de alto grau: os padrões das células parecem mais anormais. Acredita-se que esta condição seja um possível precursor do câncer de próstata, sendo um indicador de risco aumentado para o desenvolvimento do câncer de próstata.  

No entanto, vale ressaltar que muitos homens com PIN (Neoplasia intraepitelial prostática) poderão nunca desenvolver câncer de próstata.

 

  •      Atrofia inflamatória proliferativa: 

 

Nesta condição as células da próstata parecem menores do que o normal e há sinais de inflamação na área. No entanto, a condição não é câncer, mas alguns pesquisadores acreditam que em alguns casos pode levar a neoplasia intraepitelial prostática de alto grau, ou talvez diretamente ao câncer de próstata.

 

Quais são as causas e fatores de risco que podem desenvolver Câncer de Próstata?     

Estudos de necropsia  mostraram que 1 em cada 3 homens com mais de 50 anos apresentam células cancerígenas na próstata, sendo que 80% destes cânceres detectados na necropsia são pequenos, com tumores que não são prejudiciais (benigno).

Mesmo que não haja nenhuma razão conhecida para o câncer de próstata, existem muitos riscos associados: 

  • Idade – Durante o envelhecimento do homem, a próstata está sujeita a duas condições: aumento benigno (HPB – hiperplasia prostática benigna) e câncer de próstata.
  • Etnicidade – Estima-se que os homens afro-americanos apresentam a maior incidência da doença, com um 1 a cada 6 homens, apresentando também maior risco de tumores agressivos que crescem rapidamente. Outras etnias, como hispânicos e asiáticos, apresentam menor probabilidade de desenvolver câncer de próstata.
  • Histórico familiar – Homens com histórico familiar de câncer de próstata apresentam 2 a 3 vezes mais probabilidade de ter câncer de próstata. Esse risco aumenta de acordo com o número de parentes diagnosticados com câncer de próstata. 
  • Tabagismo – O risco de câncer de próstata pode dobrar para tabagistas. O tabagismo também está associado a um aumento de mortalidade para câncer de próstata. Porém em 10 anos após parar de fumar, o risco de câncer de próstata diminui, atingindo o risco para o de um não fumante da mesma idade.
  • Dieta – Apesar de não estar claro o mecanismo em que a dieta contribui para afetar o risco de câncer de próstata, existe uma probabilidade de o risco aumentar no caso de altos consumos de calorias, gorduras animais, açúcar refinado e baixo consumo de frutas e vegetais. A obesidade também está associada à maior mortalidade em câncer de próstata. 

 

Como prevenir o câncer de próstata?     

Não existe como prevenir o câncer de próstata, uma vez que fatores de risco como idade, etnia e histórico familiar não podem ser controlados. No entanto, existem medidas que podem ser realizadas para diminuir o risco do desenvolvimento do câncer de próstata. 

Peso, alimentação e atividade física: 

Os mecanismos de contribuição da dieta no risco de câncer de próstata ainda não estão bem elucidados. Alguns estudos sugerem um aumento do risco de câncer de próstata em homens com dietas ricas em laticínios, cálcio e altos consumos de calorias, gorduras animais, açúcar refinado e baixo consumo de frutas e vegetais. A obesidade também está associada à maior mortalidade em câncer de próstata. 

Com isso, sugere-se que se mantenha fisicamente ativo, com uma alimentação saudável, incluindo uma diversidade de frutas e vegetais e evitar o consumo de carnes vermelhas e processadas, bebidas adoçadas com açúcar e alimentos altamente processados.

Embora nem todos os estudos concordem, vários encontraram um risco maior de câncer de próstata em homens cujas dietas são ricas em laticínios e cálcio.

Vitaminas, minerais e suplementos: 

Vitamina E e Selênio: Alguns estudos iniciais sugeriram que o consumo destes suplementos pode colaborar com a redução do risco de desenvolvimento do câncer de próstata. No entanto, os resultados são conflitantes. Um grande estudo denominado Selenium and Vitamin E Cancer Prevention Trial (SELECT) demonstrou que o selênio e a vitamina E não foram associados a redução do risco de câncer de próstata, sendo até mesmo o uso de suplementos de vitamina E associados a um risco levemente aumentado para o desenvolvimento do câncer de próstata.

Soja e isoflavonas: Estudos iniciais sugerem que as proteínas de soja (denominadas isoflavonas) apresentam benefícios na redução do risco de câncer de próstata. No entanto, maiores estudos são necessários para evidenciar a correta relação. 

Alguns medicamentos também podem contribuir com a redução do risco de desenvolvimento do câncer de próstata. Porém, qualquer medicamento ou suplementos, pode apresentar riscos e benefícios, devendo ser orientados e prescritos pelo médico ou especialista responsável. 

 

Quais são os sintomas de quem está com Câncer de Próstata? 

Em sua fase inicial, o câncer de próstata apresenta evolução silenciosa e muitas vezes os pacientes não apresentam nenhum sintoma, ou quando apresentam são sintomas relacionados à hiperplasia prostática benigna, como:

  • Dificuldade de urinar;
  • Aumento da frequência urinária.

Na fase avançada da doença pode:

  • Provocar dor óssea;
  • Sintomas urinários mais graves;
  • Infecção generalizada;
  • Insuficiência renal. 

 

Quais são os tipos de tratamento para Câncer de Próstata?      

Frente a um diagnóstico de câncer de próstata podem ser realizados tratamentos não cirúrgicos, como:

  • Terapia de privação de andrógenos,
  • Radioterapia,
  • Terapias ablativas,
  • Quimioterapias,
  • Imunoterapias,
  • Tratamentos Cirúrgicos (realizados isolados ou em conjunto com radioterapia e/ou tratamento hormonal). 

     Todos os tratamentos levam em consideração o risco, controle da doença e se existiu ou existe algum tratamento prévio. 

A escolha do melhor tratamento deve ser avaliada individualmente para cada paciente, após definir os riscos, benefícios e melhores resultados conforme o estágio da doença e condições clínicas. Frente a isso, a possibilidade de tratar o câncer de próstata na fase inicial e de modo personalizado pode evitar piores prognósticos e atingir melhores resultados. 

 

Câncer de Próstata pode causar impotência sexual?

No decorrer das diferentes fases de enfrentamento da doença, o paciente com câncer de próstata apresenta alterações em sua vida a nível físico, psíquico e social. 

Em relação ao diagnóstico é comum que o paciente se sinta inseguro, sendo que no imaginário coletivo, a doença frequentemente é associada à morte. Além disso, o câncer de próstata afeta uma localização anatômica responsável pelas funções sexuais do homem, podendo apresentar diversos conflitos ligados à sua sexualidade.

O risco de apresentar impotência sexual em decorrência do câncer de próstata está relacionado a vários fatores, como: idade maior que 65 anos,  obesidade,  tabagismo,  doenças vasculares  e descobrimento da doença em estágio avançado.

Em relação ao tratamento do câncer de próstata através de cirurgia, o risco de impotência sexual varia de 30-100%, sendo este risco dependente do estágio da doença, tamanho do tumor, estado da função sexual anterior a operação e idade). No entanto, se o paciente tiver ereções, a sensação de orgasmo praticamente não sofre alterações, somente apresentando ejaculação ausente (casos de câncer) ou retrograda (casos de doença prostática benigna). 

No entanto, existem estratégias que podem acelerar a recuperação da ereção após a remoção da próstata, como a utilização de medicações com ação vasodilatadora nos corpos cavernosos. Também pode-se associar a fisioterapia pélvica com reabilitação peniana.

Vale ressaltar que o tempo de recuperação é variável, mas estima-se que o tempo necessário pode chegar a 18 meses. O tratamento indicado para reabilitação da impotência sexual pós cirurgia deve ser avaliado individualmente e proposto pelo médico ou especialista responsável.

 

Quais são os testes de triagem e diagnóstico para câncer de próstata?

Diante da falta de sintomas clássicos de câncer de próstata, os exames de triagem têm se destacado tendo como objetivo o diagnóstico precoce. A dosagem sorológica do antígeno prostático específico (PSA), aprovada como teste de triagem pela FDA em 1994, é comumente utilizada na prática clínica como principal teste de rastreio.  

Porém, cerca de 15% dos homens diagnosticados apresentam valores dentro da normalidade para PSA. Apesar de ser amplamente utilizado no rastreio do câncer de próstata, o PSA pode estar elevado também em outras patologias, incluindo hiperplasia prostática benigna, infecção prostática e infarto prostático (que pode acompanhar a retenção urinária aguda). Portanto, esse teste, por si só, não possui características de excelência para biomarcador no rastreio de câncer de próstata devido à baixa precisão preditiva.

Com isso, diante da suspeita de câncer de próstata, a biópsia de tecido ainda é considerada o padrão ouro para o diagnóstico.

Apesar de ser o mais frequente tipo de câncer entre os homens, o câncer de próstata é também o mais difícil de ser abordado, muitas vezes limitando o diagnóstico precoce e seus cuidados. Pesquisas qualitativas sugerem que ao se tratar de saúde do homem frequentemente esbarramos em fatores socioculturais, que podem justificar a baixa adesão à procura por serviços médicos. 

O exame de toque retal apresenta uma das maiores limitações para o diagnóstico do câncer de próstata, mesmo que apresente boa eficiência em conjunto com o exame sorológico na detecção precoce de câncer de próstata.

Portanto, é importante ter uma conduta de rastreamento capaz de verificar o risco da agressividade da patologia, em um primeiro momento, sem a necessidade de realizar a biópsia.

Diante da dificuldade em adesão aos exames de triagem convencional, a SYNLAB oferece o teste Stockholm3, um teste minimamente invasivo, com maior sensibilidade que o biomarcador comumente utilizado, para auxiliar na detecção precoce de câncer de próstata.

 

O que é o teste Stockholm3 para a detecção precoce de câncer de próstata?          

O teste Stockholm3 é uma análise de rastreamento não invasiva para câncer de próstata agressivo (definido como ISUP> 2), realizada por meio da coleta de sangue por punção venosa, em homens com idade entre 45-75 anos. 

O teste determina a concentração de cinco marcadores plasmáticos em uma amostra de sangue (PSA, PSA livre, PSA intacto, hK2, MSMB e MIC1):     

1) PSA – Antígeno prostático:

      É uma proteína produzida pelo tecido prostático, desta forma se o homem tem tecido prostático, tanto em condições benignas ou malignas, será detectado no exame. Dois tipos de PSA circulam em seu corpo: PSA livre, que é o PSA que não se ligou a nenhuma proteína e o PSA ligado, que é PSA que se ligou a proteínas.

Como a próstata aumenta com a evolução do câncer, espera-se que nesta condição, o nível de PSA esteja aumentando. 

2) PSA livre:

     PSA não ligado a proteínas. Os testes de PSA livre são frequentemente usados em conjunto com outros testes de PSA para confirmar um diagnóstico ou resultados de teste.

3) hK2:

     A calicreína glandular humana 2 (hK2) é uma calicreína específica da próstata (produzida pelo epitélio prostático com aproximadamente 80% de homologia de sequência de DNA com PSA) que está sendo descrita como um potencial biomarcador de câncer de próstata adjunto do PSA.

4) MSMB:

      A microsemino proteína beta (MSMB) é uma proteína sintetizada pelas células epiteliais prostáticas e secretada no plasma seminal. A expressão da proteína aparece diminuída nos casos de câncer de próstata. 

5) MIC1:

     A Citocina-1 inibidora de macrófagos, também conhecida como fator derivado da próstata (PDF), tem sido associada à progressão de vários tipos de doenças, incluindo câncer de próstata. Foi demonstrado que o gene MIC-1 pode ser diretamente regulado por citocinas associadas à inflamação nas células do câncer de próstata, podendo a ativação do gene MIC-1 ser uma resposta precoce devido à devido à inflamação, infecção ou lesão na próstata, fornecendo uma vantagem de crescimento celular, levando a um ambiente que favorece o desenvolvimento do câncer de próstata. 

O teste Stockholm 3 também realiza a análise de 101 variantes genéticas, integrando os resultados da análise em um algoritmo que inclui a idade do paciente, histórico familiar e o resultado da biópsia anterior, se houver. 

Devido à integração dos diferentes parâmetros, é possível definir um percentual de risco (score risk) de que a biópsia da próstata seja positiva se realizada (Gleason ≥7 – O score de Gleason é uma pontuação dada a um câncer de próstata baseado em sua aparência microscópica. Scores maiores estão associados a piores prognósticos, já que são dados a cânceres mais agressivos).

Estudos científicos mostram que a aplicação desse teste pode reduzir o número de biópsias em 32%, sem comprometer a capacidade diagnóstica dos cânceres de próstata de grau médio (Gleason ≤7), em comparação com o uso do valor de PSA 3 ng / mL como valor de corte para recomendação de biópsia. 

O teste Stockholm3 da SYNLAB fornece informações relevantes para a tomada de decisões sobre a realização de uma biópsia.

 

Para quem o teste Stockholm3 é indicado?

É indicado para homens de 50-69 anos com:

  • História familiar de câncer de próstata
  • PSA Alto (> 1,5 ng / mL) ou exame de toque retal alterado
  • Resultado negativo em uma biópsia prostática anterior

 

Quais são as vantagens do teste Stockholm3?

O teste Stockholm3 apresenta diversas vantagens em relação aos testes de triagem convencionais, como:

  1. Aumento da taxa de detecção de cânceres agressivos em 100% em comparação com a prática clínica atual
  2. Redução do número de biópsias desnecessárias em 50% em comparação com a prática clínica de rotina
  3. Possibilita a detecção de câncer agressivo em homens com baixos valores de PSA (<3 ng/mL)
  4. Fornecimento de recomendações concisas com base no risco, tornando mais fácil para o especialista tomar decisões e reduzindo o tempo de espera entre a suspeita inicial é o primeiro tratamento

 

Sobre o Grupo SYNLAB

O Grupo SYNLAB é líder na prestação de serviços de diagnóstico médico na Europa, disponibilizando uma gama completa de serviços de análise clínica laboratorial a pacientes, profissionais de saúde, clínicas e indústria farmacêutica. Proveniente da união da Labco com a SYNLAB, o novo Grupo SYNLAB é o indiscutível líder europeu em serviços de laboratório médico.

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