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Doenças Raras em Números

Publicado por SYNLAB em 24 de fevereiro de 2026
Autor do texto: Carla Peluso, PhD
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As doenças raras englobam um conjunto amplo e heterogêneo de condições que, individualmente, afetam um pequeno número de pessoas, mas que, em conjunto, impactam milhões de indivíduos em todo o mundo. Apesar da baixa prevalência de cada condição isoladamente, o impacto coletivo sobre pacientes, famílias e sistemas de saúde é expressivo.

 

Compreender o que caracteriza uma doença rara, como essas condições são classificadas e qual é o papel da epidemiologia nesse contexto é fundamental para ampliar a conscientização, reduzir o atraso diagnóstico e orientar políticas públicas.

 

No Brasil, o tema ganhou maior visibilidade nos últimos anos, impulsionado pelos avanços da genética médica, da epidemiologia e pela implementação de políticas específicas voltadas a esse grupo de doenças.

O que é uma doença rara e como ela é classificada?

De acordo com a Organização Mundial da Saúde (OMS) e o Ministério da Saúde, uma doença rara é aquela que afeta até 65 pessoas a cada 100 mil habitantes. Essa definição, baseada em critérios epidemiológicos, busca padronizar estratégias de cuidado, organização da rede assistencial e políticas públicas de saúde. No entanto, essa definição não é universal:

 

  • Nos Estados Unidos, considera-se rara a condição que afeta menos de 200 mil pessoas;
  • Na União Europeia, aquelas com prevalência inferior a 1 em 2.000 indivíduos.

Essas diferenças refletem critérios epidemiológicos, econômicos e sociais distintos, o que dificulta comparações internacionais e a harmonização de políticas de saúde (1-3).

 

Estima-se que existam entre 6.000 e 8.000 doenças raras descritas mundialmente, sendo a maioria de origem genética. Ainda assim, trata-se de um grupo extremamente diverso do ponto de vista clínico, etiológico e evolutivo, o que torna sua classificação um desafio contínuo.

 

De forma geral, as doenças raras podem ser organizadas segundo diferentes critérios:

  • Origem (genética ou adquirida);
  • Idade de início;
  • Curso clínico e os sistemas afetados.

Na prática clínica e na pesquisa, é comum agrupá-las em categorias como doenças metabólicas, neuromusculares, genéticas, autoimunes, infecciosas e hematológicas, o que facilita o raciocínio diagnóstico, o manejo clínico e o desenvolvimento de estudos específicos (4-6).

 

Ferramentas como o Orphanet e a Human Phenotype Ontology (HPO) desempenham papel central nesse processo, ao padronizar a nomenclatura e a descrição fenotípica das doenças raras, permitindo a integração de dados clínicos e genéticos em escala internacional (4).

 

Epidemiologia das doenças raras: como medir o que é raro

A epidemiologia é a ciência que estuda a distribuição e a frequência das doenças nas populações. No contexto das doenças raras, ela é essencial para dimensionar o impacto dessas condições, mesmo diante de sua baixa prevalência individual.

 

Entre seus principais objetivos estão a estimativa de prevalência e incidência, a identificação de padrões regionais e demográficos e o subsídio à formulação de políticas públicas.

 

No entanto, esse campo enfrenta desafios importantes, especialmente a subnotificação e o subdiagnóstico, já que muitas doenças raras permanecem sem identificação molecular ou não são corretamente registradas nos sistemas de informação em saúde.

 

Esse cenário contribui para a chamada “odisseia diagnóstica”, caracterizada por longos períodos entre o surgimento dos primeiros sintomas e a definição da causa da doença (7-9). Mesmo com o apoio de sistemas como a CID, o Orphanet e a HPO, limitações metodológicas e a rápida evolução do conhecimento molecular tornam necessária a atualização constante dessas ferramentas (10).

 

Doenças raras em números: Brasil e mundo

Apesar de sua baixa prevalência individual, estima-se que cerca de 300 milhões de pessoas convivam com alguma doença rara no mundo. No Brasil, dados indicam que entre 10 e 13 milhões de pessoas podem ser afetadas por essas condições.

 

Observa-se, entretanto, uma distribuição desigual de diagnósticos e tratamentos, com maior concentração de serviços especializados nas regiões Sul e Sudeste.

 

Essa desigualdade reflete diferenças no acesso a centros de referência e a testes genéticos, reforçando a necessidade de políticas públicas que promovam maior equidade no cuidado (7, 11,12).

 

Principais tipos de doenças raras: genéticas e metabólicas

A maioria das doenças raras tem origem genética, resultando de alterações no DNA que podem ser herdadas ou surgir de forma espontânea. Essas doenças podem ser classificadas em monogênicas, cromossômicas ou multifatoriais, dependendo do mecanismo envolvido.

 

Dentro desse grupo, destacam-se as doenças metabólicas raras, geralmente associadas a defeitos em enzimas ou transportadores envolvidos em vias metabólicas essenciais. Conhecidas como erros inatos do metabolismo, essas condições podem se manifestar desde a infância até a vida adulta e representam um dos grupos mais bem caracterizados do ponto de vista diagnóstico e terapêutico (13-15).

 

A correta identificação dessas doenças depende da integração de dados clínicos, bioquímicos e genéticos, frequentemente apoiada por tecnologias avançadas, como o sequenciamento de nova geração e bancos de dados especializados (4, 10).

 

Avanços terapêuticos: quem tem tratamento hoje?

Nas últimas décadas, o desenvolvimento de terapias para doenças raras avançou de forma significativa, impulsionado por políticas de incentivo a medicamentos órfãos e pelos progressos em biotecnologia, genômica e terapias gênicas.

 

Ainda assim, estima-se que apenas cerca de 5% das doenças raras possuam um medicamento aprovado, com maior concentração em áreas como oncologia, neurologia, metabolismo e hematologia (16, 17).

 

No Brasil, o acesso a terapias inovadoras é mais amplo em alguns grupos específicos, como erros inatos do metabolismo, fibrose cística e atrofia muscular espinhal, especialmente quando há protocolos clínicos bem estabelecidos e incorporação de medicamentos pelo SUS.

 

Apesar disso, persistem desigualdades regionais e importantes barreiras de acesso para muitas outras condições raras (7, 18).

 

O papel das inovações laboratoriais no avanço das doenças raras

Os avanços nas técnicas laboratoriais têm transformado o cenário das doenças raras, ampliando significativamente a capacidade diagnóstica e a compreensão de seus mecanismos moleculares.

 

Tecnologias como o sequenciamento de genoma completo, as abordagens multi-ômicas, a espectrometria de massas e a aplicação de inteligência artificial à análise de dados genéticos vêm se consolidando como ferramentas essenciais nesse processo (19, 20).

 

Essas metodologias permitem identificar variantes genéticas causais, interpretar variantes de significado incerto, descobrir biomarcadores e integrar dados clínicos e laboratoriais de forma mais precisa.

 

Como resultado, contribuem não apenas para o diagnóstico mais precoce e assertivo, mas também para o desenvolvimento de terapias cada vez mais personalizadas (21, 22).

 

Diagnóstico: o ponto de partida para transformar o cuidado

As doenças raras representam um desafio clínico, científico e social. Embora os avanços em epidemiologia, genética médica e tecnologias diagnósticas tenham sido expressivos, grande parte dessas condições ainda permanece sem diagnóstico molecular definitivo ou tratamento específico.

 

Nesse contexto, investir em diagnóstico de qualidade é um passo fundamental para encurtar a odisseia diagnóstica, orientar decisões terapêuticas, apoiar o aconselhamento genético e promover melhor qualidade de vida às pessoas que convivem com doenças raras.

 

A ampliação do acesso a exames laboratoriais avançados e a integração entre dados clínicos e genéticos são hoje elementos centrais para transformar números em cuidado efetivo.

 

Quais tecnologias a SYNLAB oferece na investigação de Doenças Raras?

Nesse cenário, a investigação das doenças raras exige não apenas conhecimento clínico, mas também acesso a ferramentas diagnósticas avançadas e integradas.

 

A SYNLAB conta com um portfólio abrangente de exames laboratoriais voltados à investigação genética e molecular das doenças raras, incluindo tecnologias como array genômico, painéis de sequenciamento por NGS (Sequenciamento de Nova Geração), sequenciamento de exoma e de genoma completo, além de metodologias específicas para o estudo do DNA mitocondrial, como sequenciamento e MLPA.

 

Essas abordagens permitem avaliar desde alterações cromossômicas e variantes pontuais até deleções, duplicações e variantes estruturais, oferecendo maior precisão diagnóstica mesmo em quadros clínicos complexos ou inespecíficos.

 

Ao reunir diferentes metodologias em uma estratégia diagnóstica personalizada, a SYNLAB contribui para reduzir a odisseia diagnóstica e ampliar as possibilidades de cuidado para pessoas com doenças raras.

 

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A realização de exames precisos e atualizados é essencial para diagnósticos mais assertivos e para o melhor direcionamento dos tratamentos. A SYNLAB está aqui para te ajudar.

 

Oferecemos soluções diagnósticas com rigoroso controle de qualidade às empresas, pacientes e médicos que atendemos. Estamos no Brasil há mais de 10 anos, atuamos em 36 países e três continentes, e somos líderes na prestação de serviços na Europa.

 

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Dúvidas frequentes (FAQ)

Qual é a doença mais rara do Brasil?

Não existe uma única “doença mais rara” no Brasil. Há milhares de doenças raras descritas, muitas delas com poucos casos registrados no país ou até mesmo no mundo. Algumas afetam apenas algumas famílias. Além disso, a subnotificação e a dificuldade de diagnóstico fazem com que muitas condições raras ainda sejam pouco conhecidas ou oficialmente registradas.

 

Toda doença rara é genética?

Não. Embora a maioria das doenças raras tenha origem genética, nem todas são hereditárias. Algumas doenças raras podem ser adquiridas, como determinadas condições autoimunes, infecciosas ou inflamatórias. No entanto, estima-se que cerca de 70% a 80% das doenças raras tenham base genética.

 

Por que o diagnóstico de doenças raras costuma demorar?

O diagnóstico costuma ser demorado devido à baixa frequência das doenças, à grande diversidade de sintomas, à semelhança com doenças mais comuns e à dificuldade de acesso a exames especializados. Esse percurso é conhecido como “odisseia diagnóstica” e pode durar anos até que a causa da doença seja identificada.

 

Exames genéticos podem ajudar mesmo sem histórico familiar?

Sim. Muitas doenças genéticas raras surgem a partir de mutações novas (de novo), sem histórico familiar conhecido. Por isso, exames genéticos podem ser fundamentais para o diagnóstico, mesmo quando não há outros casos na família.

 

Doenças raras têm cura?

A maioria das doenças raras ainda não tem cura, mas muitas podem ter tratamento, controle dos sintomas ou melhora significativa da qualidade de vida, especialmente quando o diagnóstico é feito precocemente. Os avanços em terapias gênicas, medicamentos órfãos e medicina personalizada têm ampliado as opções terapêuticas em alguns grupos de doenças raras.

 

Quando devo suspeitar de uma doença rara?

A suspeita deve ser considerada diante de sintomas persistentes, progressivos ou incomuns, especialmente quando não há resposta aos tratamentos convencionais, quando há histórico familiar sugestivo ou quando múltiplos sistemas do organismo estão envolvidos. Nesses casos, a investigação especializada e os exames genéticos podem ser decisivos.

 

O que a epidemiologia estuda no caso das doenças raras?

A epidemiologia das doenças raras estuda quantas pessoas são afetadas, onde essas doenças ocorrem, quais grupos são mais impactados e quais fatores genéticos, ambientais ou infecciosos estão envolvidos. Mesmo com populações pequenas, esses dados são fundamentais para entender o impacto coletivo das doenças raras, orientar políticas públicas, organizar redes de cuidado e melhorar o acesso ao diagnóstico.

 

Qual exame detecta doença neuromuscular?

Não existe um único exame que detecte todas as doenças neuromusculares. A investigação geralmente envolve uma combinação de avaliação clínica com exames laboratoriais e genéticos. Entre os principais exames estão testes genéticos por sequenciamento (painéis de genes, exoma ou genoma completo), análise do DNA mitocondrial, além de exames complementares como dosagem de enzimas musculares, eletroneuromiografia e, em alguns casos, biópsia muscular. A escolha depende da suspeita clínica.

 

Referências Bibliográficas

1. Groft SC, Posada M, Taruscio D. Progress, Challenges and Global Approaches to Rare Diseases. Acta Paediatrica. 2021 Oct;110(10):2711-2716.

 

2. Abozaid GM, Kerr K, Alomary H, Al-Omar HA, McKnight A. Global Insight Into Rare Disease and Orphan Drug Definitions: A Systematic Literature Review. BMJ Open. 2025 Jan 25;15(1):e086527.

 

3. Lippi D, Varotto E, Galassi FM, Baldanzi F. Understanding and Teaching Rare Diseases: From Historical Origins to Modern Classification. Postgrad Med J. 2026 Jan 10:qgaf191. doi: 10.1093/postmj/qgaf191.

 

4. Thompson R, Spendiff S, Roos A, et al. Advances in the Diagnosis of Inherited Neuromuscular Diseases and Implications for Therapy Development. Lancet Neurol. 2020 Jun;19(6):522-532.

 

5. Fernández-Eulate G, Carreau C, Benoist JF, et al. Diagnostic Approach in Adult-Onset Neurometabolic Diseases. J Neurol Neurosurg Psychiatry. 2022 Apr;93(4):413-421.

 

6. Iyer KA, Tenchov R, Sasso JM, et al.Rare Diseases, Spotlighting Amyotrophic Lateral Sclerosis, Huntington’s Disease, and Myasthenia Gravis: Insights From Landscape Analysis of Current Research. Biochemistry. 2025 Apr 15;64(8):1698-1719.

 

7. de Oliveira BM, Bernardi FA, Baiochi JF, et al. Epidemiological Characterization of Rare Diseases in Brazil: A Retrospective study of the Brazilian Rare Diseases Network. Orphanet J Rare Dis. 2024 Oct 30;19(1):405.

 

8. Félix TM, Fischinger Moura de Souza C, Oliveira JB, et al. Challenges and Recommendations to Increasing the Use of Exome Sequencing and Whole Genome Sequencing for Diagnosing Rare Diseases in Brazil: An Expert Perspective. Int J Equity Health. 2023 Jan 13;22(1):11.

 

9. Kernohan KD, Boycott KM. The Expanding Diagnostic Toolbox for Rare Genetic Diseases. Nat Rev Genet. 2024 Jun;25(6):401-415.

 

10. Haendel MA, Chute CG, Robinson PN Classification, Ontology, and Precision Medicine. The New England Journal of Medicine. 2018; 379:1452-1462

 

11. Horovitz DDG, Félix TM, Ferraz VEF. Medical Genetics in Brazil in the 21st Century: A Thriving Specialty and Its Incorporation in Public Health Policies. Genes. 2024 Jul 24;15(8):973.

 

12. Cunico C, Vicente G, Leite SN. Initiatives to Promote Access to Medicines After Publication of the Brazilian Policy on the Comprehensive Care of People With Rare Diseases. Orphanet J Rare Dis. 2023 Aug 31;18(1):259.

 

13. Ijaz A, Abbas S, Shabbir M, et al. Inherited Metabolic Disorders: Presentation, Clinical Types, Laboratory Diagnosis and Genetic Markers. Orphanet J Rare Dis. 2025 Aug 11;20(1):422.

 

14. Pampols T. Inherited Metabolic Rare Disease. Advances in Experimental Medicine and Biology. 2010.

 

15. Marcucci G, Cianferotti L, Beck-Peccoz P, et al. Rare Diseases in Clinical Endocrinology: A Taxonomic Classification System. J Endocrinol Invest. 2015 Feb;38(2):193-259.

 

16. Fermaglich LJ, Miller KL. A Comprehensive Study of the Rare Diseases and Conditions Targeted by Orphan Drug Designations and Approvals Over the Forty Years of the Orphan Drug Act. Orphanet J Rare Dis. 2023 Jun 23;18(1):163.

 

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19. Wojcik MH, Lemire G, Berger E, et al. Genome Sequencing for Diagnosing Rare Diseases. N Engl J Med 2024; 390:1985-1997.

 

20. Wright CF, Campbell P, Eberhardt RY, et al. Genomic Diagnosis of Rare Pediatric Disease in the United Kingdom and Ireland. N Engl J Med 2023; 388:1559-1571.

 

21. Zhao T, Hock DH, Pitt J, et al. Review: Utility of Mass Spectrometry in Rare Disease Research and Diagnosis. NPJ Genom Med. 2025 Mar 31;10(1):29.

 

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