Pré-eclâmpsia: como diagnosticar - Synlab

Pré-eclâmpsia: a combinação de fatores pode predizer a pré-eclâmpsia em até 76,6% dos casos.

Publicado por Synlab em 24 de setembro de 2019
Banner Principal Imagem de fundo seção

Enquanto os testes de triagem convencional são capazes de detectar somente 30% das mulheres que irão desenvolver pré-eclâmpsia, novos testes preditivos podem auxiliar reduzindo a ocorrência dessa doença em até 89% das mulheres.

A pré-eclâmpsia se destaca entre os distúrbios hipertensivos de maior impacto na saúde materna e neonatal, afetando cerca de 5% a 7% das gestações e é considerada uma das maiores causas de mortalidade e morbidade materna e perinatal em todo o mundo. Segundo a Preeclampsia foundation, estima-se que 10 milhões de mulheres desenvolvam pré-eclâmpsia por ano, sendo que 76.000 gestantes vão a óbito por pré-eclâmpsia e distúrbios hipertensivos relacionados.

 

patogênese da pré-eclâmpsia não é completamente conhecida, porém sabe-se que está relacionada a distúrbios placentários que podem ocorrer no começo da gestação, seguida de inflamação generalizada e lesão endotelial progressiva. Segundo a International Society for the Study of Hypertension in Pregnancy, esse distúrbio é caracterizado pela presença de pressão arterial sistólica maior ou igual 140/90 mmHg em: 1) pelo menos duas aferições com ao menos um intervalo de 4 horas entre elas; 2) após 20 semanas de gestação em mulheres previamente normotensas (perfil normal de pressão arterial); e 3) proteinúria que ocorre após 20 semanas de gestação, podendo se manifestar até 6 semanas após o parto.

 

O acompanhamento e controle da pré-eclâmpsia é realizado por meio do monitoramento da hipertensão aguda, prevenção de convulsões e condutas clínicas que auxiliem na busca por uma gestação a termo. Em pacientes com diagnóstico de pré-eclâmpsia e próxima ao termo (maior ou igual a 37 semanas de gestação), quando o feto está maduro, o parto é uma maneira eficaz de tratamento e otimização dos resultados da gravidez. Nas gestações pré-termo, o risco de prosseguir com a gravidez deve ser avaliado diante da possibilidade do desenvolvimento de distúrbios multissistêmicos, ou seja, o agravamento provocado pela pré-eclâmpsia que leva a uma disfunção orgânica materna e que pode resultar em complicações clínicas como a eclâmpsia e a síndrome HELLP (hemólise, níveis elevados de enzimas hepáticas e baixa contagem de plaquetas).

 

Atualmente o risco de desenvolvimento de pré-eclâmpsia é identificado com base na história clínica, considerando os principais fatores de risco para o desenvolvimento da doença, como: nuliparidade, aumento de índice de massa corporal, diabetes gestacional, pré-eclâmpsia prévia ou hipertensão crônica. No entanto, apenas 30% das mulheres que irão desenvolver pré-eclâmpsia serão detectadas por esta triagem. Estudos sugerem que marcadores séricos maternos como beta-hCG livre, Proteína-A associada à gravidez (PAPP-A), proteína placentária 13 (PP13), Inibina-A, fator de crescimento placentário (PIGF), desintegrina-A e metaloproteinase 12 (ADAM12) poderiam aumentar a predição da doença no primeiro trimestre de gestação.

 

A identificação precoce de mulheres com risco de pré-eclâmpsia poderia melhorar a aplicação de cuidados pré-natais, manejo e tratamento da doença. O estudo prospectivo multicêntrico ASPRE realizou a triagem de primeiro trimestre para pré-eclâmpsia em 26.941 gestações únicas combinando fatores maternos como pressão arterial média, índice de pulsatilidade da artéria uterina (UtA-PI), níveis séricos de PAPP-a e PIGF entre a 11ª e 13ª semana de gestação, detectando 76,6% dos casos de pré-eclâmpsia de início precoce e 38,3% de pré-eclâmpsia. Segundo o ginecologista e obstetra brasileiro, especialista em Ultrassonografia e Medicina Fetal, Dr. Eduardo Becker, com a publicação do estudo ASPRE, o maior ensaio clínico randomizado até então publicado, ficou evidente que o uso de baixas doses de AAS (Ácido acetilsalicílico) nas pacientes com maior risco para desenvolver pré-eclâmpsia (PE) pode reduzir a ocorrência dessa doença em até 89% (PE<32 semanas), 82% (PE<34 semanas) e 62% (PE<37 semanas). Dr. Eduardo Becker ainda afirma: “vale lembrar, pré-eclâmpsia é uma das doenças que mais mata gestantes e é responsável por milhões de partos prematuros com graves consequências para o resto da vida do concepto”. E completa: não parece haver dúvidas que AAS deve ser utilizado sempre que necessário. A questão em debate é: quem deve utilizar? Como definir o grupo de risco?”

 

Colégio Americano de Obstetras e ginecologistas (ACOG) propõe classificar a pré-eclâmpsia em forma leve e grave, com base no nível de hipertensão, proteinúria e envolvimento de pré-eclâmpsia. Como rastreamento dos pacientes de risco, o ACOG sugere empregar apenas os dados de anamnese e o índice de massa corporal (IMC) para o rastreamento da doença, obtendo razoável taxa de detecção e taxas de falsos-positivos de quase 70%. Com critérios semelhantes de anamnese e IMC, mas com pontos de corte um pouco mais rígidos, o National Health Service da Inglaterra reduziu a taxa de falsos-positivos para 10%, infelizmente reduzindo também a taxa de detecção para inaceitáveis 40%, aproximadamente.

 

Nessa caminhada pela busca de diretrizes de diagnóstico precisos e precoces, recentemente a Fetal Medicine Foundation  de Londres sugeriu um algoritmo que associa os dados de anamnese e IMC ao índice de pulsatilidade médio das artérias uterinas, à pressão arterial média da gestante e a marcadores bioquímicos, sobretudo o PlGF. Segundo Dr. Eduardo Becker, que atua a mais de 20 anos em medicina fetal: “com esse algoritmo a taxa de detecção sobe para 90% na pré-eclâmpsia antes de 34 semanas, e para 75% na pré-eclâmpsia antes de 37 semanas, com taxa de falsos-positivos de 10%. Embora esse teste ainda deva ser validado em outros países, incluindo o Brasil, o acréscimo da pressão arterial média, do índice de pulsatilidade médio das artérias e a dosagem bioquímica de PlGF parece demonstrar que este teste é o mais adequado e promissor”.

 

Utilizando o algoritmo que emprega dados de anamnese e dados bioquímicos, a SYNLAB desenvolveu dois exames que objetivam a identificação precoce e diagnóstico de pré-eclâmpsia. O teste Pré-Eclâmpsia – Triagem é um exame que permite conhecer o risco do desenvolvimento de pré-eclâmpsia entre a 11ª e 13ª semana da gestação. O exame combina a análise dos níveis de PlGF (fator de crescimento placentário), juntamente com os parâmetros PAPP-A (proteína plasmática-A associada à gravidez), pressão arterial e ultrassonografia. Já o teste Pré-Eclâmpsia – Diagnóstico é um exame que permite diferenciar entre mulheres saudáveis e mulheres com pré-eclâmpsia que combina a análise da razão sFlt-1/PlGF (fator solúvel fms-like tirosina-quinase-1 / fator de crescimento placentário), juntamente com a pressão arterial e a determinação da proteinúria, sendo indicado a realização a partir da segunda metade da gestação.

 

Os testes possibilitam determinar o risco de desenvolver pré-eclâmpsia ou seu diagnóstico precoce, o que possibilita o manejo e a aplicação das intervenções necessárias para controlar os riscos de complicações maternas e fetais. Como ressalta Dr. Eduardo Becker: “a doença é grave, as consequências são importantes e a prevenção é simples. O rastreamento, portanto, é indispensável!”

 

Sobre o Grupo SYNLAB

O Grupo SYNLAB é líder na prestação de serviços de diagnóstico médico na Europa, disponibilizando uma gama completa de serviços de análise clínica laboratorial a pacientes, profissionais de saúde, clínicas e indústria farmacêutica. Proveniente da união da Labco com a synlab, o novo Grupo SYNLAB é o indiscutível líder europeu em serviços de laboratório médico.

Conheça os exames

 

PRÉ ECLÂMPSIA TEST
PRÉ ECLÂMPSIA DIAGNÓSTICO

Postagens relacionadas

23 de setembro de 2021

Complicações gestacionais decorrentes da trombofilia representam cerca de 75% das causas de morbidade e mortalidade neonatal.

A trombofilia, encontra-se potencializada na gestação e no puerpério pelas…

Continuar lendo Icon Next
31 de maio de 2021

Como funcionam os testes genéticos para a predisposição do câncer ginecológico

O câncer de mama é o câncer com maior incidência…

Continuar lendo Icon Next
27 de janeiro de 2021

NIPT: Tudo que você precisa saber sobre o exame de Triagem Pré-natal não invasivo

NIPT: Tudo que você precisa saber sobre o exame de…

Continuar lendo Icon Next

Busque no nosso blog

Queremos dividir nossas novidades com você!

Assine nossa Newsletter e receba os conteúdos mais relevantes sobre medicina diagnóstica no mundo.

Obrigado por se cadastrar em nossa Newsletter!

Este E-mail já está cadastrado!

Ocorreu um erro por favor tente mais tarde!

Fale conosco